“Praticámos 26 mil atos médicos no concelho de Gaia em 2018”
Os serviços clínicos que presta na sua sede e em outras sete freguesias do concelho de Vila Nova de Gaia são a principal porta de entrada dos associados na Associação de Socorros Mútuos de Serzedo que, em 2018, produziu mais de 26 mil atos médicos em cerca de 35 especialidades, por mais de quatro dezenas de profissionais de saúde. Ainda assim, a modalidade de subsídio de funeral não é negligenciável nesta Associação que paga, anualmente, entre 130 a 140 mil euros de subsídios aos associados. Com a área clínica estruturada e organizada e um terreno de 7 mil metros quadrados que representa encargos elevados em IMI e AIMI, a ASM de Serzedo pretende erguer um equipamento social. É um dossiê em cima da mesa de Joaquim Devesas, Presidente da Direção, que, nesta entrevista, aborda o atual momento da ASM de Serzedo.
A área da assistência clínica é o principal foco da Associação?
Temos uma clínica na sede e em sete postos clínicos em outras freguesias do concelho de Gaia - Grijó, Perosinho, Canelas, Mafamude, Gulpilhares, Arcozelo e São Félix da Marinha. Temos 35 especialidades e uma equipa médica muito consistente, que trabalha connosco, em alguns casos, há mais de 30 anos e, para além disso, temos convenções com outras clínicas que proporcionam descontos aos nossos Associados. Isto dá uma garantia de segurança e confiança a quem nos procura.
É o principal foco da nossa atividade, mas o subsídio de funeral, não é negligenciável, porque pagamos cerca de 130 a 140 mil euros de subsídios por ano.
Nessa área, há projetos em cima da mesa?
Para já não. Temos uma cobertura vasta ao nível de especialidade, por exemplo, com oito clínicos gerais e um vasto leque de especialidades. Investimentos muito na área da saúde oral e, neste momento, temos cinco dentistas a trabalhar connosco em dois dos nossos postos de saúde. Aquilo que estamos a projetar é na área social.
Uma área nova na Associação…
Temos um espaço que é nosso, com cerca de 7.000 metros quadrados e gostávamos de o rentabilizar, porque estamos a pagar IMI e AIMI. Quando o terreno foi adquirido, por uma direção anterior, era para construir um centro de dia, mas há um outro que está a ser implementado por uma outra instituição, e achamos que não vale a pena conflituar, duplicando um serviço que já existe. Queremos avançar com outro tipo de resposta, mas não é nossa intenção avançar para um projeto que vai envolver um investimento de dois ou três milhões de euros para fazer qualquer coisa apenas para ficarmos de bem com o nosso umbigo. Pretendemos desenvolver um equipamento que se enquadre nas necessidades globais, na área social, do concelho de Vila Nova de Gaia e que cubra a falta de respostas que possam existir na parte sul do Município. Solicitámos, há um ano, uma reunião com a Câmara Municipal, porque a queremos envolver, articulando com ela, o tipo de equipamento mais necessário a esta zona do Concelho e, naturalmente, pedir alguma colaboração, mais de caráter técnico, do que de outro tipo, embora também fosse necessário.
A ideia é que o Município identifique a resposta social que mais falta fará na parte sul do Concelho?
A intenção inicial de construir um centro de dia não serve. Ao construirmos um equipamento social, queríamos que fosse sustentável e não descapitalizasse a Associação e a assistência médica. Estamos interessados em avançar com um projeto na área social, mas não de uma forma irresponsável, atravessando-nos num financiamento de dois milhões de euros.
Se é um equipamento para servir a população de Gaia, o Município deverá ter uma palavra a dizer, até porque a atual direção da Câmara tem tido uma certa preocupação com a área social.
A criação de novas respostas poderá atrair mais associados. A esse nível, qual ter sido a tendência no seio da Associação?
Temos cerca de 18 mil associados. Todos os anos registamos muitas saídas, por desistência e por falecimento, mas também temos uma grande capacidade ao nível da captação de associados. Sentimos uma grande flutuação, é tudo muito volátil.
Temos muito bons serviços na área da saúde, as pessoas procuram-nos, pela proximidade, quando precisam e, depois, desistem. Quando um ou dois anos depois voltam a precisar, regressam. Temos um serviço de ginecologia, as jovens mães inscrevem-se como associadas e são seguidas pelos médicos, e, depois quando têm a criança desistem. Mais tarde, quando a criança precisa de ir ao pediatra voltam a inscrever-se.
A principal porta de entrada na Associação é o serviço clínico?
É. Já não é o subsídio de funeral. Temos um corpo clínico diversificado, com um leque variado de especialidades e, depois, temos acordos simpáticos com piscinas, Termas de São Jorge, farmácias e tudo isso é uma forma de atrair associados.
O setor social desenvolve um papel importante na área da saúde?
O setor social desenvolve um papel complementar na prestação de cuidados de saúde e esta lei não o vê com bons olhos. É curioso que, na altura das campanhas eleitorais, os candidatos visitam-nos, elogiam o nosso trabalho, ganham as eleições e nunca mais se lembram de nós. A especialidade de medicina dentária implica custos elevados em equipamentos e gerir isto com um pagamento de dois euros e meio não é fácil. Não apresentamos resultados negativos e não baixamos a qualidade dos serviços. Podemos não ter equipamentos de ponta, mas temos o essencial para dar dignidade aos atos médicos e aos serviços que prestamos.
Fizemos 26 mil atos médicos no concelho, no ano passado. Sendo que metade deles, são consultas a 1,50 euros. Sentimo-nos defraudados, quando precisamos do Serviço Nacional de Saúde para passar exames, o médico está capacitado para pedir e somos restringidos por numerus clausus. Estão permanentemente em estudos para não nos darem uma resposta.
Está a falar dos MCDT [meios complementares de diagnóstico e terapêutica]?
Os médicos que trabalham connosco são profissionais no hospital ou no centro de saúde e lá podem passar exames. Na Associação, não podem e não nos dizem porquê. Prestamos um serviço à população e não está em causa uma duplicação de serviços, porque também estamos informatizados e toda a informação é cruzada para o Serviço Nacional de Saúde. Há muitas associações na mesma situação.
publicado em 23-12-2019 | 16:59











