Associação Familiar Vimaranense procura novo espaço para concentrar área clínica
A Associação Familiar Vimaranense nasceu há 111 anos, vocacionada para fazer funerais. Hoje, com cerca de 18 mil associados, tem na clínica médica o centro da sua atividade. Trabalha com seis médicos de clínica geral e 11 especialidades diferentes e pratica cerca de três mil atos médicos por mês. Augusto Abreu, Presidente da Direção, revela o desejo de alargar o leque de serviços prestados. Estando o Município de Guimarães bem servido na área social, o cenário que equaciona passa por encontrar um novo espaço para concentrar a clínica e a farmácia social que espera luz verde para abrir há 11 anos.
A Familiar Vimaranense acolheu em outubro o Encontro Nacional de Dirigentes Mutualistas onde se falou da importância do planeamento estratégico na gestão das organizações. De que forma é que a Vimaranense está a planear o seu futuro?
Somos uma pequena instituição do Movimento Mutualista, numa cidade de um Concelho com perto de 160 mil habitantes, dos quais cerca de 18 mil são associados. O nosso futuro passa por alargar os serviços que prestamos, que são a assistência médica, o subsídio de funeral e o serviço de armador em funerais de Associados, praticando preços mais reduzidos. Temos necessidade de alargar a nossa oferta e temos procurado fazê-lo, mas não tem sido fácil num concelho como Guimarães onde existem muitas ofertas na área social. Para abrir, por exemplo, um serviço de apoio domiciliário será necessário obter um conjunto de autorizações que, muito provavelmente, vão ser recusadas, porque já há quem faça isso. Estamos a pensar levar a assistência médica e de enfermagem a casa dos nossos utentes. É uma ideia ainda em embrião, porque tem custos que, para já, não podemos suportar.
É nesse contexto que a Vimaranense pondera concentrar a componente médica num único espaço?
Esta instituição nasceu há 111 anos para fazer funerais. Neste momento, a nossa principal atividade é a clínica, onde fazemos cerca de três mil atos médicos por mês, nos cinco consultórios que temos disponíveis, dois dos quais são para estomatologia e para enfermagem. Para as restantes especialidades, temos três consultórios, que são geridos à hora. Temos vindo a pensar em adquirir um espaço, onde possamos instalar toda a área médica e uma farmácia social, libertando espaço na sede da Associação para novas iniciativas. Contamos com o apoio da Câmara Municipal, mas não tem sido fácil, porque somos uma associação relativamente modesta e não gostamos de dar um passo maior do que a perna. Já houve duas ou três hipóteses que não se concretizaram. É um objetivo a médio prazo conseguir isso para evitar que a instituição estagne. Estamos a trabalhar com seis médicos de clínica geral, 11 especialistas e, para se desenvolver, precisamos de mais especialidades, mas só as poderemos ter, se houver onde colocar os médicos. E, neste momento, não temos.
A área medicamentosa é um problema com 11 anos. Há uma ação em tribunal com o Infarmed, que temos ganho sucessivamente em várias instâncias, até que chegou ao Tribunal Administrativo de Braga, onde nos foi dada razão. Entretanto, duas farmácias de Guimarães, juntamente com a Associação Nacional de Farmácias, interpuseram uma ação para revisão de sentença e estamos há dois anos à espera que o Tribunal Administrativo de Braga decida.
A Familiar Vimaranense tem estado particularmente ativa na área da comunicação. Produziu um vídeo institucional, tem uma página de facebook e um site específico para a clínica. Que significado tem esta aposta?
Procuramos, sobretudo, que as pessoas nos conheçam. Continuamos a ser conhecidos como “associação dos mortos”, pela atividade fúnebre que desenvolvemos. Apesar de, institucionalmente, não termos mudado de nome – continua a ser Associação de Socorros Mútuos Familiar Vimaranense – abreviámos para Associação Familiar Vimaranense. Com essas plataformas queremos divulgar os serviços que prestamos e tentar chegar ao público de Guimarães, dando a conhecer quem somos e todas as nossas atividades.
Como tem evoluído a estrutura associativa?
Nós inscrevemos cerca de 600 a 700 novos associados por ano, mas temos um problema, que não sei se é comum às outras instituições: esses 600 associados não compensam os que falecem e os que desistem.
Olhando para o momento do Mutualismo e para o horizonte, na sua perspetiva quais são os caminhos a percorrer?
Acima de tudo, estamos muito bem orientados. A UMP tem feito um trabalho espetacular no sentido de unir as instituições e o futuro vai passar cada vez mais por uma interação entre elas. Aliás, neste momento, já existe. Temos Associados que vão de férias ao Algarve e conseguem lá ir ao médico através de uma Associação Mutualista.
publicado em 23-12-2019 | 17:09






