O Setor Social vai ter um papel ainda mais relevante com o envelhecimento da população

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O ex-Secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, considera que “o País não está preparado para defrontar o problema do envelhecimento da população, pelo menos na área da saúde”.

Intervindo no painel sobre o “Impacto da Demografia na Segurança Social e na Saúde”, do Dia Nacional do Mutualismo, em Vila Nova de Gaia, Manuel Delgado defendeu que o Serviço Nacional de Saúde está preparado objetivamente para fazer face à doença crónica aguda e para a doença tratada por especialistas, e que o envelhecimento da população implicará uma mudança de paradigma, nomeadamente a criação de equipas multidisciplinares e a deslocação dos clínicos aos domicílios dos idosos.

António Tavares, porta-voz da Secção de Solidariedade e Sociedade e Bem-Estar do Conselho Estratégico Nacional do PSD e Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, antevê que o Estado Social “vai ter muita dificuldade em suportar a institucionalização” dos idosos em lares e unidades de cuidados continuados, e que a estratégia, no futuro, terá que passar por criar condições para que o idoso continue a viver na sua habitação, nela recebendo o apoio, de natureza social ou clínica.

Na sua perspetiva, impõe-se um novo modelo de “governance”, baseado numa “coordenação política” dos Ministérios da Segurança Social e da Saúde, que “não podem continuar tão afastados”.

Nesse quadro, Manuel Delgado prevê que o setor social e solidário venha a ter um papel ainda mais relevante no apoio a pessoas idosas, através da domiciliação do apoio clínico e social e da ocupação dos tempos livres.

Recorrendo às projeções da União Europeia, Amílcar Moreira, Professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, chamou a atenção para o peso que o número de pensionistas terá na Segurança Social em 2050, qualquer coisa como 3,2 milhões de pessoas.

A sustentabilidade da Segurança Social ficará dependente do crescimento da economia do País, que, no seu entender, não tem uma política de cuidados à população sénior, lembrando que a rede de unidades de cuidados continuados atual cobre apenas 350 mil idosos.

Luís Capucha, Professor Universitário, manifestou a sua preocupação com o impacto do envelhecimento da população na Segurança Social, abordando desde logo a necessidade de aumentar a idade da reforma e de alargar a base contributiva, por exemplo, através da imigração e de mais emprego no feminino.