180.º Aniversário da Associação de Socorros Mútuos «Montepio Filarmónico»

A Associação de Socorros Mútuos «Montepio Filarmónico» - a associação mutualista mais antiga do país, ainda em funções - celebrou 180 anos de existência, no passado dia 4 de novembro, tendo organizado uma sessão solene que teve lugar no Salão Nobre da Casa da Imprensa, em Lisboa.

A cerimónia iniciou com um bonito momento musical, da autoria dos músicos associados no «Montepio Filarmónico», tendo prosseguido com as intervenções dos Órgãos Associativos desta instituição.

O Presidente do Conselho de Administração da Casa da Imprensa, José Eduardo Goulart Machado, enalteceu o trabalho desenvolvido pelo “Montepio Filarmónico”: “é notável os 180 anos de vida associativa do Montepio Filarmónico. Esta sessão tem um brilho especial não só pela longevidade da associação, mas pela sua própria natureza de cariz artístico”.

José Tristão Nogueira, Presidente da Assembleia Geral do “Montepio Filarmónico”, salientou a importância da “Irmandade de Santa Cecília” e do “Montepio Filarmónico” para o estudo do associativismo em Portugal.

O Presidente da Direção do “Montepio Filarmónico”, Alberto Campos, homenageou os associados, os fundadores e todos os que se mantêm na associação. Realçou igualmente “a necessidade de revitalizar e dinamizar a instituição, de dar a conhecer aos jovens músicos os protocolos existentes com outras Associações Mutualistas e a importância histórica da própria associação, no panorama musical português”.  

Luís Alberto Silva, Presidente do Conselho de Administração da União das Mutualidades Portuguesas, apontou “a carga simbólica desta comemoração, por assinalar e honrar o passado e a tradição do movimento mutualista”, acrescentando, “no entanto é tempo de enfrentar o futuro e os novos desafios que este nos traz. A área da saúde, que tem sido desenvolvida por esta Associação, é uma área de atuação que tem enormes potencialidades, que pode, e deve, ser dinamizada pelas associações mutualistas. É com este pensamento - entre a importância do passado, a consolidação do presente e o lançar as pontes para o futuro - que a União das Mutualidades Portuguesas deseja que os 180 anos, que agora se comemoram, sejam apenas o marco de um futuro de consolidação para a Associação de Socorros Mútuos Montepio Filarmónico”.

Luciano Franco, Tesoureiro da Direção do “Montepio Filarmónico”, afirmou, em entrevista, “esta comemoração significa uma constatação da história desta Associação e um ponto de partida para o futuro. É o momento para parar, para refletir e para perspetivar a revitalização do Montepio Filarmónico”.

Outro dos pontos altos desta sessão solene foi a homenagem póstuma prestada a Joseph Scherpereel, pelo seu grandioso contributo para a elevação da História da Música em Portugal. Foi graças a Joseph Scherpereel e à sua dedicação (30 anos de trabalho), que foram resgatados documentos antigos dos arquivos da “Irmandade de Santa Cecília” e do “Montepio Filarmónico”, os quais se encontram acondicionados e consultáveis.

 

Mais sobre o “Montepio Filarmónico”

Surgiu em 1834, em Lisboa, e na sua génese está a Irmandade de Santa Cecília, daCorte de Lisboa que, desde 1603, geria o trabalho dos músicos, controlando a qualidade artística, promovendo o desenvolvimento da arte e gerindo uma parte dos ganhos dos seus membros, com vista ao socorro da doença, da invalidez, do funeral e do apoio às suas famílias.

Ao longo dos séculos, o “Montepio Filarmónico” soube resistir às crises económico-sociais que assolaram o nosso país, renovou-se e, na revitalização desta instituição, mantém-se o sentido de proteção dos profissionais e amadores da música com respostas nas áreas da saúde e da segurança social e na conservação do seu património, através de diversos estudos na área da história da música.